Sempre ouvi dizer
que a beira dos 30 é o momento de maior evolução. Nunca levei isso a sério, mas
mesmo que eu me considere em um pouco disso, ainda penso que evolução e
maturidade não têm a ver com idade.
Hoje aos 27 anos
eu sou o oposto do que fui aos 18. Acredito que de alguma maneira eu não seja a
única chegar à essa conclusão. Consigo lidar melhor com meus sentimentos,
compreendo melhor que o que eu achava que era bom para mim naquela época, na
verdade era um caos. Ao contrário daquela daqueles dias, hoje eu gosto de
aprender, de regar curiosidades, fazer questionamentos... Penso que se fosse
assim naqueles anos, eu já estaria muito mais longe do que cheguei hoje.
Não, eu não penso
que seja tarde demais. Pelo contrário, acredito que é o momento certo para
evoluir. E sobre a questão da idade, não acredito que os 30 seja o ponto de
amadurecimento, logo porque isso é relevante comparado ao número de pessoas que
são estáveis e maduras desde os 18. O que eu quero dizer é que para mim
maturidade tem a ver com escolha. Saber que a vida e tudo ao redor nela nos
obriga a ter pés no chão e fazer escolhas de maneira sábia.
Com o tempo e com
as experiências que adquirimos ao longo dele, obtemos conhecimento sobre nós
mesmos e compreendemos melhor a ideia de socialização. Do ouvir e falar, do dar
e receber. Isso, é claro, que inclui também a forma como lidamos com nossos
problemas e com os do próximo.
Entre mudanças, há uma delas que notei com mais detalhe: Me tornei uma pessoa
seletiva.
E ser seletivo
aos 15, 16, 17 e 18 é uma tarefa difícil. Logo porque querendo ou não, se não
temos conhecimento sobre nada, fica extremamente fácil ser levado pelas
emoções.
Me tornei
seletiva com meus sentimentos, com as pessoas do meu convívio, com as
palavras...
Outrora, me
importava muito com as opiniões alheias. Aceitava as migalhas de atenção e
afeto e me martirizava por pensar que deveria melhorar para o outro gostar mais
de mim.
Anos atrás, eu me
comparava e deixava ser comparada. As escolhas ainda eram sem bases e confusas,
a influência das emoções pesava sempre a razão e o correto.
Naquele tempo eu
questionava a minha própria confusão e me achava diferente. Ainda pensava
diferente dos jovens da minha idade e me culpava por isso.
Quando aos 18
todos se alegravam por beijar garotos ou ir a baladas, eu ainda me sentia
incompleta. Precisava de algo que alimentasse aquela nostalgia que todos eles
sentiam em fazer aquilo, quando eu não encontrava uma razão objetiva para tal.
O que eu descobri
na ansiedade, foi que o problema sempre esteve nas minhas relações afetivas.
Não amorosas, mas em um todo. Eu estava cercada de pessoas que não tinham nada
a ver comigo e que de alguma maneira me influenciavam de maneiras negativas com
base na incompatibilidade de atitudes, pensamentos e objetivos.
Ou seja, eu não
me encaixava. E nem elas se encaixavam naquilo que me fazia verdadeiramente
bem.
Eu demorei a
entender isso. Até entender eu tive que perder tempo com amizades vazias e que
de alguma maneira não me levaram a nenhum lugar. Tive que chorar por relações
rompidas e me relacionar novamente.
Sim, é um
processo. O processo que levamos para entender o real problema.
Ser diferente
nunca foi um problema. Se relacionar com o seu oposto, muito menos. A questão é
quando o oposto te afeta de uma maneira indireta. Quando a visão de mundo dele
fere suas crenças. Sim, você deve ser seletivo quando o oposto não te faz bem.
Eu demorei a
entender. Porque na ansiedade você se vê errado por pensar em algo que te faria
bem, mas que aos olhos do outro você seria julgado
A ansiedade não
gosta disso. Ela abomina julgamentos porque eles ferem.
Ainda não sabia
diferenciar amigo de colega e vice-versa. Por diversas vezes dava ouvidos a
quem não queria ver o meu sucesso. Comecei a ser influenciada sem notar.
Na roda familiar,
então, nem se fale!
Ao fazer uma
leitura de quem eu fui aos 18 e de quem eu sou hoje, percebo que eu não tenho
medo de me afastar ou estar só. Eu me culpava por achar que estaria errada se
eu selecionasse mais e excluísse ainda mais o meu ciclo social.
Mas eu digo que
ser seletiva é um autocuidado e amor próprio. Saber que o pouco contigo não
assusta tanto quanto o muito que te faria mal.
Me tornei
seletiva pois eu precisava manter meus sentimentos e meus valores intactos.
Me tornei
seletiva pois eu precisava respirar do que viver em meio ao lixo que era ter a
imagem feliz de estar cercada por muitos, e no fundo ver essa felicidade como
uma farsa.
Me tornei
seletiva, porque também me vi analisando tudo e todos. Me tornei seletiva,
principalmente, porque o mundo ao redor está em caos e a maioria vive com base
em achismos e o disse e me disse da internet.
Eu precisava me
tornar uma pessoa seletiva. Mesmo que um tanto tarde para isso. Ser seletivo
quanto as amizades, as escolhas, a forma de pensar e falar... Saber que uma
pessoa culta não tem a ver com o nível de leitura que ele está, mas com a
posição que ele escolhe ter diante das situações. Eu precisava disso. Ter uma
postura diferente diante do que eu vivia. Então, em tornei seletiva para um
amadurecimento que eu nunca busquei.
Ser seletivo não
é apenas escolher seu ciclo social, mas escolher a fôrma do seu caráter. Seguir
suas raízes ou se deixar levar pelo que está na moda. É ser você mesmo. Sem
medo ou com receio do olhar do outro. É viver o que ama, mesmo quando o outro dúvida.
Ser seletivo é selecionar o que faz bem, quem faz bem e viver bem. É excluir
totalmente o que não te leva para frente.
Ser seletivo é,
bom, ser alguém melhor, firmado no que te incentiva a ser melhor.
Caso contrário, é
só atraso.
É mudar os ciclos
e selecionar quem e o que fará parte do novo.
SEJA SELETIVO.

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