A geração fragilizada e a falta de imposição dos pais: Século do desastre.





Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.Pitágoras

Recentemente parei para assistir alguns vídeos da internet e me deparei com um deles que me chocou profundamente. Não apenas pela cena de extrema indignação, mas por enxergar a triste realidade nele. 
No vídeo estava uma filha puxando os cabelos de sua mãe, enquanto a mesma pedia para ela soltá-la. A jovem que além de estar machucando aquela que lhe deu a vida, fazia exigências como se ela fosse a autoridade ali. A jovem exigia que a liberasse para uma festa e ameaçava não soltar enquanto sua mãe não prometesse que a deixaria ir.
O mais chocante não era a própria filha agarrar a sua mãe, mas sim a reação da mãe. Em tempos passados, onde a internet não era febre e tampouco manipulava a mente de jovens em processo de construção de caráter, levantar a mão para o próprio pai ou mãe era inadmissível. Naqueles tempos, os filhos ajudavam com as tarefas de casa e só brincavam depois das tarefas escolares estarem em dia.
Naquele tempo um não de um pai ou mãe, era mandamento. Era lei. Algo que mesmo que não agradasse aquele que deveria seguir a regra, era acatado sem poder questionar. Entenda, não estamos falando de abuso paterno. Existe uma diferença enorme para ambos assuntos, não iremos generalizar. O assunto é: quando foi que a educação se tornou tão aberta?

O que anda acontecendo com essa geração?
Se baseando no vídeo descrito acima, é notório a raiz do problema: somos a geração sem limites.
Não culpo o índice de violência e tampouco a política que não avança o nosso país, mas culpo a mim, ao meu vizinho da esquerda e da direita; culpo ao meu melhor amigo, ao conhecido distante... a culpa é de todos nós. Porque a verdade é que reclamamos de um reflexo de nós mesmos. Somos os maiores responsáveis pela geração atual e seremos os culpados pelo desastre das gerações futuras.
Todos os dias nós temos nas mãos um poder enorme e fazemos dele pouca coisa. Mandamos nossos filhos para as escolas e achamos que o professor é o responsável por educar. Nossos filhos completam 8, 9 ou 10 anos e em nossa mente relaxamos ao pensar que ele sabe cuidar de si mesmo. Deixamos brincar sem averiguar com quem está brincando, damos um smartphone ao pensar que ele já tem idade para isso... são diversas situações que colocar aqui levaria dias.

A geração atual é a raiz de um desastre futuro. Porque na geração atual, filhos mandam em pais. Nessa geração, beber aos quatorze é sinal de maturidade. Beijar e perder a tal virgindade tem que ser o mais cedo, porque nessa geração a mensagem sobre esperar é brega. Nessa geração vemos mais desempregados e jovens enfiados nas drogas, porque meninas de doze anos já estão ficando grávidas. Crianças estão tendo que encarar as responsabilidades de um adulto, quando só deveria acontecer depois de longos anos. Na nossa geração, garotos de 15/16 anos já são pais. Nessa geração brincar de boneca, pique e pega, esconde esconde são brincadeiras passadas. E pensar nisso dá uma dor no peito... Porque sim, essas brincadeiras ficam cada vez mais lá no passado.


Educação é a chave. Dela nascem os cientistas, os psicólogos, os médicos... dela nascem os que fazem história, os que vencem e os que conquistam. É a educação que capacita todo ser humano em se tornar alguém melhor.

A educação é o único método capaz de mudar o mundo.


É certo que as escolhas dependem exclusivamente de cada um, mas sua infância, as vivências são necessárias para garantir jovens com mentalidade sadia. 
Mas que desculpas para dar para crianças vítimas de seus próprios pais? Os mesmos que usam de sua autoridade para serem abusivos, narcisistas, que são os maiores culpados por jovens cada vez mais doentes, mais ansiosos, mais depressivos...

A verdade é que não tem como dar desculpas. Porque violência infantil não se dá desculpas! Pelo contrário, a gente intervém. A gente, vizinho, tio, primo, amigo, pessoas que devem estar atentas a qualquer tipo de sinal. Porque eles existem!
Seja a criança mais calada, mais problemática, mais implicante com algo ou alguém. A violência infantil pode não acontecer aos nossos olhos, mas em silêncio ela se denuncia. 
É preciso se atentar, conversar e conhecer. Nossas crianças são o futuro e é preciso cuidar muito bem da geração que tomará o nosso mundo em suas mãos. Porque se queremos de fato um mundo melhor, precisamos criar melhor a sociedade dele. Mas isso não quer dizer A LIBERDADE TOTAL para crianças que não sabem o significado real da vida. 

E o que dizer de pais omissos? 

Ao omitir uma bronca, um conselho por medo de afastar seus filhos, ao omitir uma educação mais centrada NA VIDA REAL. Porque sim, a vida real não é o conto de fadas que eles vêm no instagram. Não é uma vida glamurosa e fácil. Na vida real e no mundo ao redor existem crianças que não sabem o que é um livro, um brinquedo, o que é comer o melhor no café da manhã...
Mas a pergunta é: seus filhos sabem disso e tem empatia?
Criamos essa geração com tudo na mão ou a ensinamos a pensar como um todo? 
A ensinamos a olhar para o lado ou apenas seu campo de visão é apenas o "EU'?

Que pais estamos sendo quando o mundo grita por seres humanos capazes de o mudar para melhor? 

Somos os pais reais ou os inflamadores de ego de nossos próprios filhos?

A educação é e deve ser centrada na construção de valores. Valores esses que ensinam desde pequenos que tudo na vida virá com alguns sacrifícios, quedas, mas a recompensa do bom carácter vale para toda vida. 

Quando seu filho cai e quando perde, ele chora ou levanta?
Reflita sua educação nessa pergunta, a resposta dela é:

Você é um pai fraco ou Parabéns, você está fazendo um ótimo trabalho!



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Escrevi esse texto no final de 2018, mas hoje, 11/06/25 ele continua fazendo sentido para o nosso contexto social. 

Que possamos aprender a sermos bons educadores, o mundo realmente está precisando mais do que nunca!









Comentários

  1. Olá,
    Seu texto é muito pertinente. Estamos colhendo os frutos amargos de colocar a educação dos nossos filhos nas mãos de pessoas estranhas à família. Aonde isso vai parar? Não sei... Espero que tenhamos a chance de corrigir alguns erros graves e retomar à vida normal, porque não dá pra viver apenas das fantasias da vida virtual.
    Xero,
    Drica.

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