O TEMPO PASSA RÁPIDO.


TEXTO REFLEXÃO SOBRE O PAPEL DOS FILHOS


O tempo parece passar rápido quando não damos valor as pequenas coisas. Aos pequenos detalhes que necessitam de atenção. Na verdade, o tempo está sempre gritando para nós. Buscando um meio de nos fazer reparar no quanto ele está indo rápido e no quanto ele nos tira um pouco mais de quem amamos.

Somos egoístas e orgulhosos demais para notar. Por vezes, o mais interessante seja o presente que vivemos nossa independência. A maneira como podemos ir e vir. A liberdade de estar fora de casa até tarde e rir com os amigos. Ou de passar horas com os dedos deslizando sobre o computador ou celular. Conversando, jogando e vendo qualquer besteira no Youtube.

Nas nossas distrações, as nossa raízes passam despercebidas. Esquecemos a real razão para estarmos no hoje desfrutando de nossa liberdade e independência.

Houve o tempo em que alguém nos olhou pela primeira vez e por amor decidiu dar atenção ao tempo. De olhar para ele como um relógio que passa em segundos.

Você se lembra? Das vezes que os ouvia chamá-lo para comer, tomar banho para ir para a escola e ensiná-lo pequenas coisas como obediência, respeito e educação?
Parecia um discurso cansativo. Principalmente quando queríamos brincar um pouco mais na rua.

Quando crianças, em nossos momentos de aprender a falar e a andar, alguém valorizou o nosso tempo. Se doou para ensinar, cuidar e aconselhar. Fez questão de aproveitar a fase onde a independência ainda estava longe de se tornar o vilão. Observou, sorriu e chorou de preocupação. Buscou ser médico, professor e amigo. Viu o tempo passar para ele, mas valorizou o tempo daquele que ainda tinha tudo pela frente para a viver. Ensinou a dar valor a isso. Só não sabia que a independência tiraria a gratidão quanto a isso.

O tempo passa rápido. Hoje, os mesmos que doaram seu tempo para no ensinar ao longo da vida, estão se despedindo um pouco todos os dias. Não basta ter a pele enrugada e o cabelo branco. Coisas acontecem. O tempo acaba. 

Daí a realidade é cruel, porque notamos, às vezes tarde demais, que deveríamos ter observado o nosso relógio. O tempo gritando através dele e nos pedindo coisas simples como:

Converse mais; se preocupe mais; se importe mais; cuide mais; se faça presente; acompanhe até o médico; se preocupe com um gripe ou uma dor que veio do nada; escute mais paciente; mesmo que tenha razão, respeite mais. Faça tudo que um dia eles fizeram por você. Agora, os papéis se inverteram. Você é o adulto e eles são as crianças que precisam que você ande mais devagar para que eles possam acompanhar. Agora, são eles que precisam que você espere com paciência eles mastigarem mais devagar. Agora, são eles que um dia precisarão que você os banhe. Talvez, até as fraldas venham. Agora, são eles que precisam que você dê mais atenção ao tempo e perceba que ele corre contra você. Mas ao contrário de você que cresceu, o tempo agora não corre para vê-los alcançar a maturidade, mas para se despedir dela. 

Pode ser tarde demais não ter a oportunidade de oferecer de volta como gratidão aquilo que um dia recebemos. 

Por isso, olhe para o tempo. Veja o quanto cada segundo dele é importante e valioso. O celular, as redes sociais, o computador e os jogos podem ser eternos enquanto você viver. Mas, quem se doou para que você desfrute do que vive e tem hoje, morre um pouco todos os dias. Se despedem através da necessidade de afeto, carinho, amor e atenção que esperam de você. Da gente. De nós como filhos. 



O tempo; é tudo dependente dele.
Não temos mais o tempo quando ele resolve acabar. E quando ele vai, é tarde demais para apreciá-lo. 

CUIDE DOS PAIS ANTES QUE SEJA TARDE

TEXTO DE INTRODUÇÃO DO LIVRO " CUIDE DOS PAIS ANTES QUE SEJA TARDE": 



Não quero mais ter razão na vida, só quero ter amor. Eu teimava com meus pais, adorava ganhar uma discussão deles, me vangloriava de ser moderno, transgressor e rebelde, plantava sempre assuntos polêmicos como pena de morte e aborto nas rodas de almoço e jantar, táticas para denunciar o conservadorismo dos dois. Batia a porta, fechava a cara, gritava como um sindicalista lutando por melhores condições dentro de casa. E eles pediam que eu tivesse calma, que não faltasse com a educação, que não levantasse da mesa sem terminar a refeição, pois não adiantava reclamar da injustiça do mundo se não limpava o meu prato. No fundo, eles me aceitavam do jeito que era, eu que jamais os aceitei como eles eram. Eu era o intransigente. Possuído pelos argumentos, não percebia um detalhe esclarecedor: se eu podia pensar diferente era porque meus pais me deram liberdade. Eles me permitiram crescer com os meus ideais. Por que não tolero as suas convicções distintas? Perdi muito tempo pela vaidade das ideias. Perdi muito tempo do afeto paterno e materno. O que importa é estar junto para o que der e vier. Família não é para concordar, mas para apoiar qualquer que seja o caminho adotado. Fui descobrindo que não estava sendo um bom filho. Até era um bom pai, um bom marido, um bom amigo, mas filho, não. Deixava os meus pais por último para telefonar e visitar. Eles podiam esperar. Será? Acreditamos que os pais são eternos, imutáveis, que estarão próximos quando surgir a necessidade. Mas eles adoecem e morrem. É uma fatalidade inevitável, não há como parar a idade, recuar o fim. Se é certo que os pais um dia vão adoecer e partir, por que não organizamos a nossa vida para acolhê-los? Por que não assumimos sua gestação? Por que não reduzimos o ritmo da carreira para darmos sentido para os seus últimos dias? Não há como subornar o limite físico, mas é possível mudar o limite psicológico e sentimental. Pois há filhos que abortam seus pais dentro do coração, e os enterram precocemente, antes mesmo do velório. Abandonam os pais no asilo. Largam os pais para a temeridade violenta da solidão. Fundamos a cumplicidade com os pais por um equívoco: a necessidade. Não deveríamos procurá-los só quando precisamos. É transformar o amor em interesse, é converter a ternura em assistencialismo. São os nossos infinitos provedores financeiros e emocionais, nosso SOS, nossa ligação direta com o céu. Jamais invertemos a perspectiva e trocamos de lugar: o que eles desejam? Filhos demoram para a empatia. Caminhamos com um ano, falamos com até dois anos, levamos décadas para avançar na generosidade. Meus pais foram envelhecendo, foram se fragilizando, foram precisando mais de mim. E como não precisava tanto deles, ocupado com o meu trabalho e as minhas relações, tornei-me ausente. Um ausente egoísta, que empurrava os problemas para os irmãos e não pretendia se incomodar com a velhice e a saúde dos meus guardiões. Saudade que não é praticada vira ressentimento. Palavra que não é dita se isola em orgulho. Hoje eu vejo o tamanho do meu despreparo. Este livro é uma tentativa desesperada de ser mais pai de meu pai, mais pai de minha mãe, e devolver um pouco do que recebi deles na infância. Pelo menos, serve como um pedido de desculpa.

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